domingo, 30 de junho de 2013

Uma visão (ainda incompleta) sobre a reforma do EM no Rio Grande do Sul

A proposta colocada pelo governo estadual do Rio Grande do Sul por intermédio da secretária da educação vem a dar continuidade e ampliar a lógica da educação formadora apenas de mão de obra para o mercado de trabalho, como já descrito na teoria do Capital Humano de Theodore Schultz. Assim, atendendo os interesses do empresariado, ao invés de, incentivar e dar apoio as proposta de uma educação de cunho popular junto às comunidades que as escolas pertencem.
Creio que a evasão escolar não está associada com a baixa integração escola-mercado de trabalho. Bem pelo contrário, em minha opinião, a evasão escolar está associada ao baixo interesse dos jovens pelo mercado de trabalho. Muito mais interessados em desfrutar do presente, não constroem seus futuros e, somente quando se veem obrigados a ingressar ou progredir no mercado de trabalho, que acabam por retornar a escola. Desta forma, este caráter formador de mão de obra para o mercado não tem sentido.
Embora essa tenha o lado bom de aumento na carga horária, não foi mais amplamente discutida com as entidades de classe e movimentos sociais. Dando um ar de uma proposta “goela a baixo”. E assim sendo, pode gerar uma carga horária subaproveitada ou simplesmente “para inglês ver”.
É preciso discutir também melhor o papel da interdisciplinidade e suas implicações dentro do desenvolvimento do saber. Como ligar os conhecimentos das disciplinas sem ofuscar nenhuma? E os seminários terão suporte de professores já pressionados com uma carga horária de trabalho excessiva?

Creio que o Ensino Médio deveria ser uma etapa formadora de cidadãos, prontos para construir suas vidas e enfrentar as dificuldades e curiosidades da mesma, incluindo a escolha e a formação de uma carreira e não uma etapa para preparar pessoas para o trabalho. Há muitos desafios que precisam ainda ser enfrentados. E uma maior discussão sobre esses já passou da hora.
(Este comentário não está pronto, pois, nem todos os colegas do grupo participaram com suas ideias. O mesmo também não está publicado no Wiki do grupo, pois o mesmo não se encontra muito bem consolidado. Entretanto, está publicado neste Wiki.)

Um comentário:

  1. Caro Filipe. Na maior parte da crítica à proposta de reforma do Ensino Médio proposta pelo governo do estado temos acordo. Mas a evasão escolar vai muito além de somente os alunos não quererem ingressar de imediato ao mercado de trabalho. Embora esse exija cada vez mais qualificação e experiência em determinadas funções sem dar ao menos uma chance ao canditato a tais. É preciso também dar condições de permanência desse na escolar. Como acesso a transporte, materiais mínimos para auxilío na aprendizagem, ambiente familíar favorável e condições sociais que permitam a dedicação exclusiva do sujeito a interiorização dos conhecimentos. E que esses sejam exteriorizados em benefícios desse e da sociedade num todo.

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